Nossa amiga, a Dra.Caroline Brandalise nos presenteou com esse artigo interessantíssimo. Conheça essa musa da psicologia, a mãe da Antônia no http://www.facebook.com/carolinebrandalise
Tenho dentes e vou para a escola. E agora?
A entrada dos alunos na pré-escola representa muitas vezes a primeira separação real da mãe, do pai e do ambiente doméstico. Neste momento, exige-se que os pequenos se adaptem a rotinas, convívio com outros adultos e crianças. Por isso, precisam deixar o egocentrismo comum desta idade e dividir seus materiais, a atenção de sua professora e o seu sentimento com amigos.
Quando ficam retraídos, ansiosos ou descontentes podem demonstrar através das mordidas. Isto acontece pois ainda não sabem expressar verbalmente os sentimentos e é através do comportamento que se manifesta toda e qualquer insatisfação. Há um período da infância em que comumente vemos crianças dando mordidas ao primeiro sinal de estresse. Isso ocorre porque nos primeiros anos de vida as crianças estão no que chamamos de “fase oral”. Fase esta que compreende o início da vida até os dois anos de idade e que é caracterizada por ser através da boca que a criança recebe os estímulos do mundo externo e realiza as experiências de sensações. Morder, sugar, chupar o dedo, e expressar balbucios são exemplos das ações com as quais a criança se relaciona com o mundo. Na escola, a mordida é um dos meios que a criança utiliza para conhecer tudo que o cerca, para distinguir o que faz parte do outro e para manifestar – ainda que de forma desajustada- a sua insatisfação.
Importante salientar que a mordida é uma das primeiras formas de relacionamento, seja pela disputa de objetos ou de atenção; o que a criança deseja ao morder um colega não é agredi-lo, mas sim obter de forma rápida algum objeto ou chamar atenção.
Em síntese, a criança morde porque está insatisfeito e quer mostrar isso; quer demonstrar força e ver a reação que provoca e /ou ainda não tem vocabulário suficiente para se expressar.
Os pais e cuidadores têm papel fundamental no manejo dessa situação. Em linhas gerais, devem conter tal comportamento sempre. As mordidas não devem, jamais, ganhar aprovação; dizer para a criança que isso pode machucar as pessoas e não deve se repetir. Palavras como “dói” e “não pode” são as melhores reações para orientar a criança a não morder. Alongar as explicações não traz resultados, porque a criança dessa idade não entende. Aos poucos, a criança aprende a reconhecer os sinais dos pais/professores que indicam o que não deve fazer. Outra sugestão é utilizar atividades lúdicas para representar o que acontece na sala de aula (histórias com fantoches, animais...) e procurar orientação se as mordidas se tornarem rotina.
Caroline Brandalise
Psicóloga CRP 07/10711

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